Como se Preparar para a Aposentadoria Após a Reforma Previdenciária

A Reforma da Previdência é um assunto bastante antigo e tem ganhado mais destaque ainda conforme avançam as negociações para o novo pacote previdenciário. O trabalhador tem se sentido confuso e desesperançoso, pois parece que aproveitar a aposentadoria com uma idade adequada tem ficado cada vez mais distante. Como se preparar para a aposentadoria neste cenário tão nebuloso como o que está sendo apresentado agora?

Tenho ouvido muitos comentários na internet, em redes sociais e grupos de mensagens, que a malfadada reforma não seria necessária, e que se trata de mais uma manobra para retirar dinheiro do povo, achatando ainda mais a classe média – que será realmente a mais atingida – porém sinto informar que tal afirmação infelizmente não é verdadeira, e neste post já havia explicado um pouquinho sobre essa matemática.

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Dinheiro e tempo são recursos finitos. Passamos boa parte da vida, desde a criação do INPS, lá em 1967, acreditando que ao pagar a contribuição mensal, estaríamos garantindo nossa velhice com recursos financeiros. Isso foi uma verdade parcial, e durou um bom tempo, já que a população economicamente ativa era maior e a expectativa de vida do brasileiro, menor : 57 anos em média no mesmo período, enquanto hoje a média é de 75 anos.

A ideia de contribuir enquanto se pode, enquanto se tem disponibilidade e energia, enquanto tem a força de trabalho e o emprego, é excelente, para que, no momento em que mais precisa, quando esses recursos, por motivo da idade chegam, teríamos um “colchão” para descansar, o dinheiro para nossas necessidades básicas. Porém essa ideia não se sustenta.

Como afirmei acima, dinheiro e tempo são recursos finitos. Tempo é o pior deles, pois não há máquina que faça gerar qualquer minuto a mais em nosso dia… Já o dinheiro pode ser impresso, mas o custo é altíssimo e conhecido como inflação.

O pior de tudo, foi a cultura a que o brasileiro médio se acostumou e está literalmente preso: Somos obrigados a contribuir e não temos controle ou qualquer poder sobre esse dinheiro da contribuição, nem sequer sobre o FGTS que muitos trabalhadores tem direito (rendimento menor que a poupança!), isso nos tornou bastante preguiçosos e com pouca ou nenhuma educação financeira (desculpe se as palavras machucam, mas é a pura verdade).

Somos de uma cultura paternalista onde muitos acreditam ser responsabilidade do governo a gestão de nosso futuro, já que contribuímos com impostos.

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Precisamos ter sempre em mente que o país somos nós, e que todo e qualquer país tem sua contribuição tributária, afinal um país não é uma empresa, não gera produtos nem recebe renda. Um município, um estado, um país, é responsável pela gestão dos impostos que contribuímos, revertendo para suas diversas obras de importância e manutenção de seus programas, como saúde, infraestrutura, educação, entre tantos outros. No Brasil temos ainda a previdência, que é obrigatória.

Se os recursos dos nossos impostos são gerenciados de maneira inadequada, isso caberia um outro post, ou tantos outros posts, mas sempre é bom lembrar que somos nós, através de nosso voto, quem colocamos esses gestores (que chamamos de políticos) nos cargos que estão, portanto se algo não vai bem, cabe a nós nossa parcela de culpa.

Voltando a aposentadoria:

O tempo de contribuição aumentou e o teto achatou.

Você trabalha durante meio século e corre o risco de ao final de sua vida produtiva, ter que reduzir seus gastos e custos, justamente em um momento em que sua saúde pode começar a falhar, onde existem gastos permanentes maiores e onda não poderá gerar mais força de trabalho.

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Que cenário assustador. Sinceramente, me imagino assim quando vejo idosos bem debilitados trabalhando em subempregos, justamente pela falta de educação financeira. Me vejo nesse cena mas não quero isso para mim. Por isso, enquanto posso, enquanto tenho força de trabalho, deixo meu orçamento familiar sempre ajustado pensando em ter um futuro com mais qualidade, sem precisar depender da previdência que o governo me dará. Sou funcionária pública do Estado de São Paulo, mas sei que hoje em dia pode não me garantir minhas compensações por regime de trabalho. Então, já tenho preparado um plano de aposentadoria com investimentos a longo prazo, pensando justamente nessa etapa da minha vida que está prestes a chegar (a gente nem pensa nisso, mas quando vê, já chegou).

A título de esclarecimento: é importante entender que o funcionarismo público não tem privilégio ou aposentadorias especiais, já que até este momento, a aposentadoria é com o salário integral do trabalhador. O que de fato acontece é que enquanto os trabalhadores da iniciativa privada recebem FGTS ao final de seu período de contribuição, ou quando são desligados de suas empresas, o funcionário público não tem esse benefício, ou seja, terminou seu tempo de trabalho ou foi desligado, fim da história, nem um centavo a mais, não existe fundo de garantia pois o emprego público tem uma boa “estabilidade”, dificilmente o funcionário é desligado sem motivo justo, o que lhe permitiria uma organização financeira durante a vida, com vistas a aposentadoria.

Aprovada essa reforma da previdência, o que fazer então?

Temos duas opções na vida, para todas as ocasiões:

Sermos reativos, reclamando de tudo, mas mantendo os mesmos hábitos e alimentando esse ciclo vicioso.

Sermos proativos, apesar de não concordarmos com a situação, agirmos para mudá-la ou melhorá-la.

No coaching aprendemos a não reclamar da vida. Aprendemos a importância da proatividade. Parece muito clichê, mas de fato não podemos mudar o passado, mas temos um futuro como uma página em branco diante de nós. Aprendemos o poder da gratidão, não como hienas que riem de suas próprias condições, mas como atores principais de nossa própria história.

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Se hoje o tempo de contribuição aumentou, terei que trabalhar muito mais para conseguir minha aposentadoria, mesmo sabendo que esta poderá ser muito menor que a contribuição da vida laboral, podemos olhar com os olhos da oportunidade de revermos conceitos e passarmos a cuidar de nosso próprio dinheiro, sem designar a outro (governo) a gestão de meus recursos.

Terei que trabalhar mais? Vou ter mais tempo para gerar recursos e investi-lo como eu quiser. Nesse post procurei esclarecer um pouco a respeito do perfil investidor, já é uma ótima maneira de começar a gerenciar seu próprio recurso.

Não espere a aposentadoria bater a sua porta para se preocupar com ela. A aposentadoria é um destino certo. Pode demorar mais ou menos para chegar, mas uma hora chega. Prepare-se para vivê-la com dignidade, desfrutando dos recursos do seu trabalho sem precisar depender de outros…

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Invista tempo e qualidade em sua saúde, através de atividade física e uma alimentação saudável. Antes do coach, minha profissão de carreira é na educação física. Ter saúde é fundamental para gerar força de trabalho agora, mas também para gozar de um futuro tranquilo, evitando doenças que podem agravar sua situação na velhice. Sai muito mais barata a prevenção de doenças que tratá-las.

Trouxe hoje um texto reflexivo com o objetivo de incentivar o leitor a ter uma atitude proativa, tanto com seu dinheiro quanto com sua saúde, preparando-se fisicamente e financeiramente para uma aposentadoria digna e tranquila.

Quero ajudar você a traçar planos para esse futuro próximo, pois acredito que a educação financeira será a melhor saída para enfrentarmos essas reformas que nos assustam.

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Publicado por Estela Maria em 9 de dezembro de 2016 às 11:32